Certificação de Equipamentos de Radiofrequência na União Aduaneira

Um documento EAC emitido em um Estado da União Aduaneira vale em todos os outros, mas o espectro de radiofrequência e o acesso às redes públicas não foram harmonizados e seguem sob a legislação nacional. Um produto sem fio precisa, portanto, da avaliação de segurança EAC mais autorizações nacionais separadas em cada país de destino. E em todos os casos a autorização se prende ao produto acabado, não ao módulo embarcado.
Onde o mercado único termina
Os cinco Estados membros da UEEA operam um sistema unificado de certificação, e um documento de conformidade EAC emitido em um deles vale em todos os outros.
Essa regra não se estende a todas as áreas da regulação não tarifária. Harmonizar regulamentos técnicos leva tempo, e pouco mais de quarenta estão aprovados e em vigor. O uso do espectro de radiofrequência e a operação segura em redes de acesso público não estão entre eles. Continuam sob a legislação própria de cada Estado membro.
A consequência para quem embarca um dispositivo conectado: é preciso avaliar a segurança técnica do produto no âmbito da União Aduaneira, compatibilidade eletromagnética e segurança geral de baixa tensão, e obter autorização das autoridades de espectro e de redes públicas em cada país para o qual se pretende entregar.
Três documentos em nível nacional
| Documento | O que é |
|---|---|
| Parecer do RFC | Homologação de rádio emitida pelo Centro de Radiofrequência |
| Homologação de telecomunicações | Declaração ou certificado de conformidade para equipamentos de comunicação |
| Notificação de criptografia | Notificação que cobre a capacidade criptográfica |
O parecer do RFC é emitido somente para o produto final. Características como a potência irradiada dependem do conjunto completo, com ou sem antena, e de qual antena, então não há nada de significativo a ensaiar no nível do módulo.
A homologação de telecomunicações funciona da mesma forma: o documento nomeia um modelo específico do produto acabado. A dúvida apareceu com frequência suficiente para escrevermos ao órgão regulador de telecomunicações do país pedindo esclarecimento. A resposta foi que o fabricante precisa apresentar evidência documental juridicamente válida de que a fonte de alimentação do módulo, a antena e a linha de alimentação, e as interfaces de sinal atendem aos requisitos aplicáveis, e que isso é possível quando se anexa à declaração um relatório de ensaio que valide o dispositivo final que contém o módulo.
A notificação de criptografia não exige ensaio de produto, mas também é emitida para o produto final. O requerimento declara todos os algoritmos criptográficos utilizados. É possível fazer referência à notificação de um módulo já registrada, mas a aduana vai procurar uma notificação que cubra o produto acabado.
Bielorrússia: mesma conclusão, uma exceção útil
Os equipamentos radioeletrônicos na Bielorrússia estão sob o TR 2018/024/BY, Equipamentos de telecomunicações. Segurança, que prevê tanto a declaração quanto o certificado de conformidade.
Os documentos finais de conformidade continuam nomeando o produto final. No entanto, às vezes é possível ensaiar apenas o módulo embarcado, o que facilita bastante o envio e o desembaraço aduaneiro das amostras. Isso se decide caso a caso, não como regra geral.
O restante da União
A homologação de módulo também não existe em nenhum outro país da União, pela mesma razão: o que o país de destino exige é um documento de conformidade para o produto acabado que está sendo importado.
O que incluir em uma consulta
Uma breve descrição do produto, a funcionalidade, as frequências utilizadas, a potência do transmissor e o código TN VED, a nomenclatura aduaneira da UEEA que cumpre lá o papel da NCM no Brasil. Esses itens costumam bastar para estabelecer quais dos documentos acima de fato se aplicam.
Perguntas frequentes
Posso certificar um módulo de rádio uma vez e reaproveitá-lo em vários produtos?
Não. Todos os caminhos terminam no produto acabado. A potência irradiada depende da montagem final, de haver ou não antena e de qual antena, então o Centro de Radiofrequência ensaia o produto final. A homologação de telecomunicações é emitida para um modelo específico. Até a notificação de criptografia, que não exige ensaio, é conferida pela aduana contra o produto acabado.
O certificado EAC cobre a funcionalidade sem fio?
Apenas a parte de segurança técnica, como a compatibilidade eletromagnética e a segurança geral de baixa tensão. O uso do espectro de radiofrequência e a operação em redes públicas ficam fora da legislação comum da União Aduaneira e são regidos pela lei de cada Estado membro, então as autorizações nacionais são exigidas à parte.
A notificação de criptografia é reconhecida em toda a União Aduaneira?
Sim, é um documento padronizado reconhecido em qualquer Estado membro. Cada país tem um órgão de governo responsável pela segurança do Estado e, por consequência, pela distribuição de produtos capazes de criptografar dados, como o Comitê de Segurança Nacional no Cazaquistão.
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