Certificação Anatel de Equipamentos Industriais no Brasil

A certificação Anatel é conhecida no mercado de smartphones e eletrônicos de consumo, e costuma ser subestimada pelos fornecedores industriais. Qualquer produto com função sem fio ou de telecomunicações precisa dela antes de ser vendido no Brasil, e as marcações CE ou FCC não dispensam os ensaios em laboratórios brasileiros.
Por que os fornecedores industriais são pegos de surpresa
O Brasil é um dos maiores mercados industriais da América Latina e vem desenvolvendo sua infraestrutura de telecomunicações, o setor de energia, a automação e a digitalização da produção. A entrada exige certificação junto à Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações, processo que se encerra com a homologação do produto.
A exigência é bem compreendida no caso de smartphones e eletrônicos de consumo. Os fornecedores de equipamentos industriais costumam subestimá-la, e a consequência aparece como atraso de embarque e fornecimento bloqueado, não como pedido indeferido.
O motivo é que “equipamento de telecomunicações” abrange mais do que o nome sugere. Um sensor de pressão com módulo de rádio é equipamento de telecomunicações para esse fim.
Quais produtos industriais precisam
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Automação e controle | Sensores e controladores sem fio; sistemas de monitoramento remoto e SCADA |
| Energia e infraestrutura | Medidores inteligentes; sistemas de gestão de energia; módulos de comunicação em equipamentos elétricos |
| Redes industriais | Roteadores, modems, switches; rádios e soluções de IoT para fábricas e mineração |
| IoT e M2M | Dispositivos de logística e transporte; sensores para cidades inteligentes e Indústria 4.0 |
Quatro características que moldam o projeto
1. O representante legal é obrigatório. Empresas europeias e americanas não podem dar entrada diretamente. Um representante legal no Brasil figura sempre como requerente.
2. Os ensaios acontecem no Brasil. Mesmo com certificação CE ou FCC em mãos, o equipamento precisa ser ensaiado em laboratórios brasileiros acreditados. As marcações já obtidas podem encurtar o trabalho, mas não o eliminam.
3. A documentação vai para o português. Manuais, fichas técnicas e instruções de uso, todos eles.
4. Os certificados vencem. A certificação costuma levar de 8 a 16 semanas, e os certificados de equipamentos industriais têm validade típica de 2 a 3 anos, sujeitos a renovação e verificação.
Os quatro erros que custam tempo
- Contar com CE ou FCC em vez da Anatel. O mais comum dos quatro e o que se descobre mais tarde.
- Ausência de representante legal. Sem ele não há requerente, logo não há pedido.
- Erros na documentação técnica, em especial nas traduções para o português.
- Subestimar o prazo, que é como uma questão de certificação vira um problema de alfândega.
Cada um deles é evitável na fase de planejamento e caro depois dela. O padrão que compartilham é que nenhum aparece durante o desenvolvimento: os quatro aparecem quando a mercadoria já está em movimento.
Fontes
- Anatel, Agência Nacional de Telecomunicações, requisitos de certificação de produtos
- Anatel, cadastro de organismos de certificação designados e de laboratórios acreditados
Perguntas frequentes
Uma empresa europeia ou americana pode dar entrada na Anatel diretamente?
Não. Um representante legal no Brasil precisa figurar sempre como requerente. É a primeira providência a tomar, porque nada mais no processo começa sem ela, e é um dos motivos mais comuns para um projeto travar antes de sair do papel.
Os certificados CE ou FCC dispensam os ensaios?
Não. Mesmo com certificação CE ou FCC em mãos, o equipamento precisa ser ensaiado em laboratórios brasileiros acreditados. Contar com as marcações já obtidas em vez de dar entrada na Anatel é o erro mais comum entre exportadores industriais, e ele aparece na alfândega, não na fase de projeto.
Quanto tempo leva a certificação Anatel?
De 8 a 16 semanas, normalmente. Os certificados de equipamentos industriais costumam ter validade de 2 a 3 anos, sujeitos a renovação e verificação. Subestimar esse prazo é o que transforma um embarque programado em um embarque parado.
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